Fuck nightmare

I've become so numb
I can't feel you there
I've become so tired
So much more aware
I'm becoming this
All I want to do
Is be more like me
And be less like you!

Numb - Linkin Park


Eu tenho me tornado tão cansada, as dores tem sido tão intensas aqui dentro do meu peito.
Eu olho para frente e tudo que eu vejo é um branco esperando ser preenchido. Mas ele me parece tão distante e impossível. Eu olho pra trás e tudo que eu vejo são erros, faltas, ausências... são tantas delas. Ausência de carinho, de compreensão, de atenção, de vontade e principalmente, a pior ausência de todas: a de amor. As palavras se prendem em minha garganta, fazendo assim, o silêncio dominar. Essas ausências que se tornaram buracos em meu peito, que vão corroendo cada dia que passa a minha felicidade, ocultando os meus sorrisos. O único brilho que resta em meus olhos é o das lágrimas. E tudo que você consegue ver através do meu olhar é uma tristeza, uma tristeza que já me acostumei a sentir, que me é tão familiar e diária. Essa tristeza que se alimenta de pequenos detalhes que aos olhos dos outros passam despercebidos (principalmente dos seus), de palavras não ditas, de carinhos não feitos, de amor não recebido...
Sonhos feitos de algodão doce. Tão grandes e coloridos, mas basta colocá-los na boca para que se dissolvam como areia e se desbotem como aquele velho jeans no canto do armário hoje já esquecido.
Meu corpo fica tão inerte que não consigo senti-lo, tudo que faço é olhar atentamente a mancha acinzentada da parede, recapitulando as lembranças que nunca existiram e as poucas que foram reais, buscando uma solução (se é que ainda tem alguma).
As lágrimas já conhecem o caminho, rolam facilmente em minha face, já nem sei mais quando choro ou não se me acostumei com o seu calor, com o seu gosto salgado, com a sua maneira silenciosa de fazer a dor transbordar em meus olhos e morrer em minha boca.
Eu estou farta de ter que distribuir sorrisos falsos, de fingir que esta tudo bem.
E eu só desejo que o dia passe, que a luz em minha volta se apague. Não gosto mais do claro, prefiro o escuro. É nele que posso morrer quietinha sem ninguém perceber. É nele que ninguém nota o vermelho tão vivo dentro dos meus olhos apagados.
Eu sinto frio, ele vem tocando a minha pele suavemente me fazendo sentir o quão gelado e intenso ele pode ser. É justamente sentindo frio que vou despertando para a realidade. Vou olhando ao meu redor com a vista embaçada, procurando algo, qualquer coisa que eu possa sentir e tocar, algo para que eu veja que ainda estou viva apesar de por dentro não ser assim. A dor tem me deixado tão entorpecida que parei de sentir, de ouvir, de enxergar, acho que até mesmo de respirar.
 Não aprendi a me contentar com esse pouco que se torna quase nada perto das minhas necessidades e ausências. Esse pouco que só faz alimentar minhas dores.
Suas palavras já não fazem mais efeito, elas se tornaram tão vazias e sem fundamentos. Não condizem com as suas atitudes. Palavras estas, que se tornaram apenas palavras. Eu diria bem vagas.
Tudo que eu sou parece não importar, não completar. E tudo que eu faço parece não ser o bastante, parece não surtir efeito. É triste saber que o melhor de mim não causa reação alguma ou simplesmente não tem importância.   
Se há mudanças, então que elas sejam feitas. Se há carinho então que ele seja dado. Se há compreensão então que ela te faça entender. Se há remorso que ele te faça se confessar. Se há amor então que ele te faça demonstrar. Porque eu já não consigo mais vê-lo e muito menos senti-lo.
Talvez eu não devesse dizer nada do que foi dito, mas o tempo vai passando e eu estou morrendo aos poucos com estas palavras nunca ditas.

Trecho do texto: Diário de Caroline - Um pesadelo real
Escrito por: Ká Nisticó