Todos os dias olho pra mim tentando encontrar algo de melhor, alguma coisa que faça com que eu sinta orgulho de mim mesmo. Não estou falando de se olhar no espelho, porque espelhos não mostram as coisas da alma. Estou falando do que enxergamos quando fechamos os olhos nesse mundo sujo e hipócrita, e abrimos num mundo em construção permanente, quase desconhecido, às vezes escuro e totalmente nosso. Falo de mim mesmo, de nós mesmos. Dessa incógnita eterna. Desse descobrimento constante. Disso que somos e ainda vamos ser. Aliás, nunca paramos de ser alguma coisa. Se somos jovens, amanhã seremos velhos, se já somos velhos, amanhã estaremos mortos e, se já morremos, amanhã seremos lembrança. A vida é gigante demais pra tentarmos decifrá-la, e nós somos vida pura. Indecifráveis. Percebi, então, nesse fechar de olhos, que devo me orgulhar por poder ser, simplesmente único, como qualquer outra pessoa. A vida é linda, algumas almas é que são feias demais.
(Diego Nunes)