Ás vezes tenho vontade de ter nascido em outro corpo, com outro nome, em outro lugar, outra casa, outra cidade, outras pessoas, outro emprego, outros amigos, outras roupas, outro cabelo, outros olhos, etc. A noite quando deito em minha cama para dormir e fecho os olhos, tenho a esperança de acordar e ver que tudo está diferente, do jeito que sempre sonhei!
Apesar de ter muita coisa, sinto como se não tivesse nada. Até hoje não alcancei nenhum objetivo, não realizei nenhum sonho, ao contrário, apenas me distanciei ainda mais deles.
Sou uma pessoa infeliz, vivendo com as suas frustrações diárias dentro do peito, sabendo que meu coração chora enquanto meus lábios sorriem. Não é fácil fingir ser feliz o tempo todo, as vezes a dor quer transbordar pelos olhos em forma de lágrimas, mas o orgulho é tão forte que me faz resistir. Sabe o que viver onde ninguém te compreende por ser o que é? Ter que fazer uma coisa que você nunca quis, nunca escolheu, para o resto da vida? Não, você não sabe como é quando seu corpo inteiro parece querer explodir e você necessita tirar forças, só Deus sabe de onde, para se manter inteiro. Ninguém sabe o que é passar vinte e quatro horas do seu dia brigando consigo mesmo, tentando se entender, tentando fazer doer menos. Aguentar um dia de cada vez, esse é o lema, embora eu sinta que meu corpo não está mais aguentando nada. Isso não é se fazer de vítima, não é querer atenção, é guardar tudo sempre pra si mesmo e não deixar transparecer a ninguém. É fingir que não se importa (ou realmente não conseguir se importar mais), é ser indiferente, distante, sozinha. Talvez por não querer afastar as pessoas de mim, eu acabo me afastando delas. Isso não significa fraqueza, pelo contrário, isso se chama força. E pra mim, nas minhas condições, Ser forte é, enfim, viver quando já se está morto, assim como eu me sinto.

(Ká Niisticó)